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10/09/2009 09:15
CAMPO ABERTO PARA A LOGÍSTICA
 

A programação do etanol como combustivel capaz de movimentar carros colocou O Brasil em evidencia no mondo todo. Os canaviais passaram a ser a grande alternativa ao petróleo. Então, o Brasil, que já era o maior produtor mundial de açúcar, passou também a ocupar o pódio no ranking do álcool. Com a expansão sem precedentes do chamado mercado sucroalcooleiro, o campo se abriu para novos participantes.
Entre os estreantes nos canaviais estão os operadores logísticos. Os passos iniciais estão sendo dados agora. Eles assinam os primeiros contratos para prestação de serviços na operação chamada de CCT - corte, carregamento e transporte. Tais etapas têm potencial de faturamento estimado em R$ 15,5 bilhões.
Com passos lentos, mas firmes, alguns operadores logísticos de peso já estão nos canaviais ou se preparando para entrar neles. Um deles é a Luft Agro, do grupo Luft, que assinou o primeiro contrato coma ETH Bioenergia, empresas da Organização Odebrecht. "Vamos entrar com equipamentos para a operação de corte e carregamento. Compramos colheitadeiras de cana, tratores e carretas para transbordos. Vamos operar em duas usinas, uma localizada em São Paulo, a Usina Conquista do Pontal, outra no Mato Grosso do Sul a Usina Santa Luzia. Os investimentos são ao redor de R$ 20 milhões", disse a Transporte Moderno o diretor comercial da Luft Agro, Vladimir Leal Donegá Jr.
Outra que estréia nos canaviais é a Ouro Verde, transportadora paranaense fundada em 1973 e presidida por Celso Frare. A empresa já iniciou os trabalhos para dois clientes: um paulista, outro sulmotogrossense. "Os investimentos são em torno de R$ 40 milhões, 20% com recursos próprios, 80% por meio de financiamento", diz Frare.
No Mato Grosso do Sul, a Ouro Verde cumpre as três etapas do CCT, mas em São Pulo faz só o "T" (transporte). O contrato é de cinco anos. Frare diz que a operação, naturamente puxada, é ainda mais exigida quando se opera sob tempo chuvoso. "Entramos no negócio recentemente e já debaixo de pesada chuva", assinala o empresário, para completar: "As operações, tanto em São Paulo como no Mato Grosso do Sul são acompanhadas diariamente. Queremos verificar a real margem que vamos ter com o negócio e se confere com a planilia inical. Todos os dias temos um novo aprendizado".
Tradicional transportador fundado em 1951, a Gafor também entrou na logística dos canaviais. Começou sua primeira operação em abril para a Usina Bonfim, localizada em Guariba, cidade da região de Ribeirão Preto, área de maior produção de cana de açúcar do país. A controladora da usina é a Cosan, um dos maiores conglomerados mundiais do setor sucoalcooleiro.
O investimento inicial da Gafor, segundo Luiz Herique Lissoni, presidente da empresa, foi de R$ 18 milhões. Os recursos vieram do caixa e de empréstimo da linha Finame gerida pelo BNDES, os equipamentos são oito conjuntos (cavalo-me-cânico mais rodotrem), dez conjuntos (trator mais carretas de transbordo) e quando colheitadeiras, além de veículos de apoio e estrutura de manutenção da frota.
Com investimento de R$ 70 milhões, o Grupo Julio Simões, um dos maiores conglomerados do país em transporte e logística, também já opera nos canaviais nas etapas de corte, carregamento e transporte. Os contratos são com três usinas - duas no interior paulista (Cosan e Clealco) e uma em Goiás (Brenco). Para dar conta do recado, o grupo comprou 34 colheitadeiras, 66 tratores, 23 caminhões e 42 rodotrens.
Vários aspectos chamasm a atenção na operação dedicada às usinas. Um deles é o regime de trabalho de 24 horas durante dois terços do ano. Outro é o grande investimento exigido, principalmente nas colheitadeiras de cana, cada uma em torno de R$ 1 milhão. Outro ponto de destaque é o valor dos contratos. No caso da Julio Simões, por exemplo, acordos celebrados com três usinas somam faturamento acumulado de R$ 550 milhões nos cinco anos até 2013.
É natural que diante do gigantismo envolvido todos meçam bem seus passos. "Estamos aguardando até o fim da atual safra para verificar se efetivamente teremos algo que seja interessante dentro desse novo segmento", observa Celso Frare, da Ouro Verde.
Nas duas usinas que a Luft começa a operar a partir de setembro as etapas serão de corte e carregamento. A terceira fase, o transporte, caberá a Binotto, outra gigante do setor de transporte e logística.
Vladimir Donegá, que além de diretor comercial, observa que os custos envolvidos na logística são por demais relevantes. "Do custo total de uma usina, 30% ficam para a conta do corte, carregamento e transporte". Diz "Tais encargos justificam a terceirização".
O diretor da Luft entende, no entanto, que a tercerização do CCT será gradativa. As usinas tradicionais já têm investimentos feitos em frotas e deverão se mais lentas no processo, enquanto as novatas tendem a passar tais etapas para operadores para concentrar investimentos em áreas diretamente ligadas à produção. Vladimir Donegá assinala que espaço para os operadores logísticos nos canaviais é limitados. "Hoje somente 15% de toda área estão mecanizados, mas a estimativa é que até 20014 teremos boa parte das áreas com mecanização completa", diz.
O fato é que até aqui a tercerização da logística do campo estava resumida do portão da fazenda para fora. A vocação natural de países como o Brasil para o agronegócio foi acelerada pelo desenvolvimento econômico sobretudo de países como a China, dona de um quarto da população mundial.
Mais gente consumindo significa que as terras precisam ser cada vez mais ocupadas com produtividade e eficiência.
Empresas como Gafor e Julio Simões de há algum tem atuavam na logística da madeira para a produção do papel e celulose. Lissoni, da Gafor, diz que não há como não na logística agrícola. Do faturamento de R$ 1 bilhão previsto pela empresa para 2012, segundo ele, pelo menos 30% virão da logística do agronegócio.
Donegá, alem do corte e carregamento, diz que a Luft Agro pensa em oferecer mais serviços para o mercado sucroalcooleiro. "Pensamos em desenvolver o plantio mecanizado e o in house onde podemos gerenciar operações que não fazem parte do core busines das usinas". Afirma.



 
 
 
 
 
 

 

 
 
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