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16/11/2009 13:44
DAILY, O PRIMEIRO FURGÃO COM MOTOR ELÉTRICO
 

A única hidrelétrica do planeta a montar carros, a Usina Binacional Itaipu (Brasil e Paraguai) acaba de entrar no segmento de veículos leves. Pelo sistema de CKD, o programa de desenvolvimento de veículos elétricos do Grupo Fiat em parceria com a Itaipu as versões com motor elétrico do furgão Daily (Iveco) e do Pálio (Fiat Automóveis) em um galpão da usina em Foz do Iguaçu (PR). O protótipo do Daily que já está rodando movido a energia elétrica é um chassi cabine dupla comum modelo 55C, que passa a ser denominado 55CE na versão movida a eletricidade. Com capacidade para transportar seis passageiros e 2,5 toneladas de carga o primeiro comercial leve elétrico da América Latina já está rodando e tem, além da Itaipu, da Fiat e da Iveco, a participação da KWO Grimselstrom, empresa suíça de geração hidrelétrica, e também de geradoras de eletricidade estatais e privadas do Brasil como Cemig (Minas Gerais), Copel (Paraná), light e a Eletrobrás (estatal federal que engloba as empresas de geração de eletricidade).
As três baterias Zebra do Daily elétrico garantem autonomia de 100 km e dão ao veículo 450 kg a mais que sua versão convencional. O Daily elétrico precisa de oito horas ligado em três tomadas, uma para cada bateria, de 220 V/16ª, para ser completamente carregado. Por não ter efeito memória, o veiculo pode ser abastecido sem que as baterias tenham sido descarregadas totalmente. As baterias têm vida útil de cerca de mil cargas e o veiculo pode ser fabricado também com uma bateria a mais, o garante uma autonomia de cerca de 150 km e mais 150 km em sua estrutura. O motor elétrico de corrente alterada tem 54 cv de potencia nominal, torque de 129 Nm a 2.950 rpm, e potência máxima de 108 cv com 300 Nm de torque a 2.950 rpm. Fabricado pela empresa suíça MÊS-DEA a propulsor dá ao veículo as velocidades máximas de 70 km por hora, quando carregado, e 85 km por hora, sem carga. O veículo tem tração no eixo traseiro e uma caixa com duas marchas, uma à frente e outro à ré. Para quem está acostumado com câmbio e barulho do motor, o comercial leve elétrico representa uma grande novidade. Basta girar a chave e tirar o pé do freio para que ele comece a andar e o único barulho é o do contato dos pneus com o asfalto e do vento. Resultado da parceria entre a Itaipu Binacional e a Iveco, empresa do Grupo Fiat, os primeiros dez veículos produzidos na única planta automotiva de Foz do Iguaçu serão entregues para a geradora elétrica e seus parceiros financeiros no projeto. Para as empresas elétricas, além de utilizar como combustível o que elas mesmas produzem e comercializam, os comerciais leves só ideais para equipar suas frotas de manutenção e ainda servem como uma poderosa ferramenta de marketing ambiental. Mesmo com um preço que corresponde ao dobro da versão convencional, empresas transportadoras já demonstraram interesse em ter em suas frotas um veículo com este potencial de marketing em um mundo ás voltas com o aquecimento global.
Para o gerente de frota da Rapidão Cometa, Genilson Vilela, um dos convidados da Iveco para o lançamento de seu Daily elétrico, a incorporação do veículo em suas frotas que operam em grandes centros urbanos é bem interessante. Segundo ele, além do marketing ambiental, o uso de energia elétrica também representa menores gastos com combustível, principal custo do setor. De acordo com a Iveco, para carregar o Daily elétrico na tomada o gasto seria de R$ 17 para garantir 10 km de autonomia, com base no preço no preço da energia fornecida pela Itaipu. Com diesel, para rodar 100 km, o gasto sobe para R$ 27. equipado com um sistema similar ao Kers da Fórmula 1, o Daily elétrico recupera energia durante as frenagens no trânsito. "É um veículo ideal para o uso em grandes centros urbanos, pois sua autonomia de 100 km contempla as operações e seu porte não impede a utilização em locais com restrições a veículos maiores por conta de problemas no tráfego, além de ser ambientalmente correto", afirma Vilela. O veículo tem emissão zero de CO2 e não produz barulho. Para ser mais ecológico, só se o veículo for carregado com painéis fotovaltaicos que captam energia do sol. Em Itaipu, mesmo sendo a maior geradora hidrelétrica do mundo, a empresa colocou painéis solares nos estacionamentos de seus Pálios elétricos, o que garante um abastecimento 100% ecológico.

CAPACIDADE DE CARGA - Depois da parceria com a Fiat para produzir o Pálio elétrico, Itaipu partiu para uma segunda fase do programa e propôs a Iveco que entrasse para produzir um comercial leve movido a energia elétrica. Por sua própria canta, Itaipu já havia desenvolvido um veículo elétrico para uso de catadores de material reciclado. Em uma parceria entre a Fundação Centro Tecnologia de Itaipu (PTI) e a Blest Engenharia, de Curitiba, foi criado um carrinho com motor elétrico de 1 hp e capacidade para transportar até 300 kg de carga. Equipado com duas baterias, tem autonomia de 4 a 5 horas.
De acordo com o gerente da plataforma de veículo leves e de passageiros da Iveco, Marcelo Motta, o modelo elétrico emitir poluentes, nem barulho, não teve perda significativa em sua capacidade de transporte por conta do uso de múltiplas baterias bem maiores e mais pesadas que as utilizadas nos veículos com combustíveis convencionais. Segundo Motta, no modelo equipado com três baterias a capacidade de transporte ficou cerca de 10% menor.
Por enquanto, a produção de veículos elétricos da Iveco em Itaipu está destinada a atender aos parceiros do projeto, principalmente as empresas de eletricidade que utilizam comerciais leves em seus serviços de manutenção, por exemplo. Ainda não há previsão de quando os veículos elétricos da linha de comerciais estarão nas revendas e seu preço, atualmente, equivale ao dobro da versão movida a combustíveis convencionais. O tamanho das baterias, sua autonomia, e o custo atual do veículo elétrico ainda são itens que precisam ser aprimorados para competir com os veículos movidos a combustíveis convencionais. O diretor-presidente da Itaipu pelo governo brasileiro, Jorge Samek, no entanto, faz uma comparação com os primeiros modelos de telefones celulares, lançados há menos de 20 anos no mercado nacional e os modelos atuais. "Quem não se lembra do tamanho das baterias e de como eram limitados os recursos dos aparelhos, além do alto custo?", diz.




 
 
 
 
 
 

 

 
 
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